quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Saudade


Ela tem saudade, ela tem saudade de ser abraçada depois de uma crise de choro, tem saudade de ser criança, tem saudade das piadas bobas e dos sorrisos tortos.
Ah, como ela tem saudade das noites abraçados e das conversas bobas na madrugada, ela sente falta, como sente, sente falta das manhãs de domingo, de o acordar e ouvir sua voz reclamando.
Sente saudade da segurança, da proteção, da preocupação, sente falta da idéia de existir um pra sempre. Sente falta daquela pessoa que a acalmava e dizia que tudo ia ficar bem, sente falta daquele que mais ficou do seu lado, e da unica pessoa que foi capaz de a compreender tanto
Ela tem esperança, esperança de retorno, de que tudo seja como antes e de que nada mude nunca, por que ela gosta rotina, ela gosta das coisas como deveriam ser.
Ela chora em silêncio, e sente saudade, trancada no quarto, sente saudade do seu melhor amigo.

domingo, 31 de outubro de 2010

Amor


O que deve ser feito quando se ama tanto uma pessoa, tanto que tudo o que tu pense e faça seja pensando nela?
Eu te digo o que fazer, esqueça, não é certo, é maluco, doentio e dói, é dói de verdade.
Como sei? Acabei de notar isso, acabei de perceber que fiz tudo errado, e sei que ainda vou errar muito, mas agora, agora sei que estou acertando, acertando em tentar pensar em mim, e naquilo que me faz melhor, pensar que eu sou a coisa mais importante da minha vida, não outra pessoa, que mesmo que eu ame alguém, e ainda amo, tenho que pensar em mim, e não me dar totalmente pra outro ser, não me doar como se eu não tivesse valor algum, por que eu sei que tenho, agora sei.
Mas mesmo assim não deixo de amar, a mim mesma primeiro, é claro.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Aquele Olhar



Naquele minuto, em meio aquele olhar silencioso e perturbado, pude falar tudo que era essencial, sem nem ao menos mexer os lábios, pude tocar tudo que mais queria possuir, sem ao menos levantar os braços, pude sonhar, sem ao menos fechar os olhos, pude voar, sem que por um segundo tivesse tirado meus pés do chão, pude sentir tantas coisas juntas, tantos sentimentos guardados a tanto tempo em um lugar que eu não mais acreditava existir. No fundo daqueles olhos, pude ver um mundo não explorado, uma vivacidade morta em meio ao caos, ao caos que aquele olhar causava em minha mente, senti que jamais viveria um dia de minha vida sem me lembrar daquele olhar, não mais viveria.Não mais viverei.
Quem possuía aquele olhar? Não me pergunte, eu não sei, foi só mais uma coisa q
ue sonhei.

sábado, 1 de agosto de 2009

E mesmo assim, eu te amo.

E como se não notasse você me faz sofrer.
Você só pensa em si, mesmo quando choro, você sorri.
E sempre é assim, me perco em mim, por culpa tua.
Eu já não sei ao certo se é certo, estar errada do teu lado.
Sempre que te procuro, encontro alguém pior.
Quando eu te amo, me odeio e isso não é bom.


quinta-feira, 30 de julho de 2009

Caixinha

E era uma caixa pequena, e nela cabia o mundo, era o meu segredo, o segredo mais secreto mais intenso, mais mágico, mais meu. Lá eu guardava tudo, escondia o que era mais valioso pra mim. Um pouco de poesia barata, um pouco de alecrim, alguns cds antigos, as cartas dele pra mim, a minha boneca surrada dos tempos da Carochinha, algumas mentiras contadas por amigas minhas. Desenterrei como quem acha um tesouro, a muito tempo perdido, abracei forte como quem reencontra um amigo. Esperava sentir mais emoção ao pegar na madeira da caixa, esperava ouvir o som da musica nela guardada, sentir o aroma ainda doce de jasmim, da flor que lá guardei, da flor dele pra mim, sentir o amor, aquele abraço apertado que ele me deu um dia, ter de volta o que perdi em uma tarde vazia, poder sentir os beijos que um dia descrevi em papel, os beijos que um dia ele deu pra mim.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Ana Belle


- Do que está fugindo Ana Belle, eu não vou te fazer mal, como pode pensar isso de mim? Tudo o que fiz até hoje foi te amar, dar-te amor, o que te faz pensar que quero te fazer mal minha querida?
Disse isso, o jovem rapaz, segurando o revolver.
- Todo esse tempo, Ana Belle, todo esse tempo, era eu que estava aqui, eu estava aqui te abraçando, te ouvindo, o que te faz pensar que quero te fazer mal? Tu
me escuta Ana Belle? Eu não vou te fazer mal, responda-me, por que foge de mim, por que foge de mim Ana Belle?
Gritou o rapaz.
- Por que tu insiste em fingir que não estou aqui, eim? Me fala Ana Belle. Lembra aquela noite, a nossa noite, te lembras? Foi a melhor da minha vida, não me diga que esqueceu, me diz que nunca sonharás com ninguém além de mim, me diga! Por favor, Ana Belle, responde, responde Ana Belle.
Entrando em desespero Bartolomeu desabou-se a chorar.
- Ana Belle, minha Ana Belle, por que não queres mais ser minha
, minha menina, minha pequena, meu amor, minha flor, minha florzinha de maracujá, por que preferes com outro estar? Não sou bom o bastante pra ti? Não te faço feliz? Por que não me responde Ana Belle?
Apontando o revolver pro próprio crânio, o rapaz disse.
-Sabe, Ana Belle, é pelo medo de te fazer mal, que não faço isso em tua presença, só esperava que fosse menos doloroso quanto o é, te amo, e só tu me faz acreditar em um amanhã, sem ti não existe futuro, só queria ouvir-te dizer mais uma vez te amo. Mas tu não me respondes, não pode responder, tu não está aqui, e é bom que tu não sintas a dor que eu sinto. Até o sempre Ana Belle, até o infinito, espero que na morte eu encontre o sonho que perdi dentro de ti.
E com um impulso instantâneo, apertou o gatilho, caiu. Os olhos imóveis, da parede estavam a o fitar, só a foto presenciou a queda do jovem rapaz apaixonado.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Algo entre o chocolate quente e o mel


Suspiros lançados aos cantos, maquiagem escondendo os sofrimentos, sorrisos escancarados em meio ao caos. E o frio engloba todo meu ser, recolho-me dentro de mim e me encontro num imenso mar de nada onde bóiam barcos cheios de desilusões, temores e sofrimento. Me escondo de baixo da coberta, o monstro está sob minha cama, dentro do meu armário, a porta está trancada, já não posso sair. Gritos se transformam em suspiros, arrepios em lágrimas, suor em sofrimento. O calor me envolve, o frio se revela dentro de mim, me sinto queimando em meio a uma nevasca, me sinto inclausurada no olho do furacão, jogada pelo vento direto ao meio do iceberg. Forças mais fortes fazem com que eu não possa me mover, e ainda embaixo da coberta, dentro de mim, cheia de nada, sinto medo, medo do monstro, do anjo, do rosto, do sabor e do que serei depois disso, sinto medo de gostar do que eu desprezo, medo de sofrer com o que eu amo. As cegas procuro a luz, não existente mais, procuro uma vela mas ela parece estar acesa em algum lugar entre meus musculos e meu coração, e arde, arde como nada mais o fez algum dia. O gosto disso? Algo entre o chocolate quente e o mel.